quarta-feira, 28 de outubro de 2015

New York Vs The World, Por Aline Furquim

Blog Le Quiche Literário
"Navegar é preciso" disse o poeta. Viajar é simplesmente a melhor experiência que um ser humano pode em sua vida fazer, respirar novos ares, conhecer gente nova, expandir os horizontes e tantas outras maravilhas.
Aline é blogueira no blog Aline VS The World e recentemente viajou para New York e trouxe, além de muitas lembranças, ótimas histórias para contar no Le Quiche. Veja só:



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"Sempre que me encontro em um lugar desconhecido (não precisa nem ser outra cidade ou outro país, pode ser até mesmo dentro do meu próprio bairro) tenho o costume de procurar por coisas familiares e identificáveis como coisas básicas do dia a dia para me sentir mais localizada. Acho que isso é natural para muitas pessoas e em diversas situações da vida. Queremos nos sentir confortáveis e estar num lugar estranho, numa situação estranha não contribui para o nosso conforto simplesmente porque não sabemos como nos sentir e como reagir diante do que não conhecemos.


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Recentemente viajei para New York e todo o processo que antecipou a viagem (papelada, burocracia, viagem pra São Paulo sozinha, entrevista no consulado, ufa) já foi em si mesmo um grande desconforto. Eu, que já me sentia muito independente por sair da casa dos meus pais pra estudar em Curitiba, me vi, pela primeira vez, realmente sem pai nem mãe. Eu tive que resolver todos os detalhes da viagem praticamente sozinha, tudo dependia de mim e eu me senti em total responsabilidade pelo sucesso ou fracasso da viagem.

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Após conseguir sobreviver ao estresse burocrático e à loucura que foi passar três dias sozinha em São Paulo, fiquei mais confiante e mais preparada para o que me esperava em outro país: estar constantemente fora da sua zona de conforto.
Não sou a pessoa mais viajante do mundo, na verdade saí muito pouco do meu estado e uma única vez fora do meu país, mas essas poucas experiências me bastaram pra me fazer acreditar que um dos maiores ganhos de uma viagem são as descobertas que fazemos sobre nós mesmos quando nos vemos fora do nosso lugar comum. Estar em um lugar geográfico totalmente diferente, estar em contato com uma língua diferente, com costumes e comportamentos diferentes nos fazem refletir sobre nosso próprio estilo de vida.
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 Assim que pisei em New York, todos os meus atos deixaram de ser automáticos, pensava duas vezes antes de perguntar, antes de responder, antes de agir. Ao invés de procurar semelhanças e familiaridades, comecei a registrar rapidamente todas as diferenças possíveis. “Quando em Roma, aja como os romanos”, e foi assim que tentei fazer.
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 Saia de casa com minhas roupas mais confortáveis e não as mais bonitas, porque me parecia que os nova iorquinos tinham um leque muito amplo em relação ao que é socialmente aceitável de se vestir na rua; carregava comida e água comigo porque os nova iorquinos não se importam muito em desperdiçar tempo precioso parando pra almoçar (de fato acho que quase ninguém lá “almoça” no sentido que estamos acostumados), as praças estão cheias de pessoas sentando pra fazer um lanchinho rápido (vai um sanduíche de salmão defumado aí?) enquanto trabalham no laptop ou falam ao telefone; mas apesar desse ritmo meio frenético é comum ver muita gente tirando um momento do dia pra aproveitar as inúmeras áreas de lazer da cidade, o Central Park, principalmente, está sempre cheio de pessoas praticando esportes, tomando sol, caminhando com o cachorro, brincando com as crianças; os nova iorquinos investem muito em áreas verdes, é muito fácil encontrar parques e praças e até mesmo terraços cobertos de árvores; mas há uma coisa que não dá pra imitar: os nova iorquinos andam pelas ruas sem parar pra ficar admirando embasbacados a arquitetura maravilhosa daquela cidade, porque obviamente aquilo não é novidade para eles.
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Tirando as coisas básicas que todo turista adora fazer que é conhecer o pontos mais famosos, comer as comidas típicas e fotografar tudo, conhecer New York foi uma experiência de tentar me reprogramar e me renovar. Acordar todo dia sentindo a brisa quente e estável, andar por ruas históricas e modernas ao mesmo tempo, conhecer cidadezinhas pequenas e interioranas nas redondezas de uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, conviver com a praticidade e a facilidade de se encontrar tudo e mais um pouco nos supermercados, lidar com a educação polida convivendo com a segregação racial, a simplicidade e a generosidade dos habitantes ligadas à um consumismo desenfreado; tudo isso me tirava do meu modos operandi e também me libertava. Todo dia era uma nova descoberta, um aprendizado. Em cada rua, em cada situação diferente eu absorvia alguma coisa nova sentindo que essa sede pelo mundo estava só começando."

Aline 

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