segunda-feira, 11 de maio de 2015

O rosa não é a cor das princesas




Depois de ler um trecho de uma das obras de Margareth Rago, uma professora e historiadora da UNICAMP, que faz uma análise do desenvolvimento da historiografia brasileira, tive que fazer um trabalho sobre um dos subtítulos escolhidos pelo professor.
Histórias sobre Eva e Adão, a historiografia do feminismo no Brasil foi o meu tema e durante minha pesquisa encontrei um lindo texto escrito por uma mãe blogueira.
O blog, A cientista que virou mãe escrito pela Ligia Moreiras Sena é uma bióloga que é mãe da linda Clara, uma garotinha que deu um show de valores em uma loja de sapatos.
A história escrita por Ligia, em resumo, é assim: Foram as duas comprar uma bota de borracha para dias de chuva, a mãe sabia de lugar que vendia a tal bota sem personagem algum, porque muitos sabem da imposição da mídia do pensamento consumista através dos personagens das histórias infantis ou de desenhos animados nas crianças. Lígia conta na história que a pequena Clara ficou em dúvida entre as cores, rosa, preto e roxa,e que, por fim, Clara escolheu a cor rosa. Lígia também diz, que sempre mostrou variedade de cores à pequena para fugir do padrão rosa e azul que a sociedade tem, nada contra a quem compra, ela diz, mas sempre variou as cores e hoje quem escolhe é a pequena, que se decide por rosa, preto ou roxo tudo bem, a mãe não impõe nada.
Por fim foram as duas pagar a botinha no caixa e a atendente muito gentil, disse: Que linda a sua botinha! E é da cor das princesas! A mãe já desanimada por ver que é praticamente lutar em um mundo tão “licenciado”, como ela mesma diz, decide não falar nada e ai a Clara começa a falar: Não, não é a cor das princesas. A atendente pergunta porquê não, e a Clara responde: - “Não. É "da cor de rosa" porque eu achei mais bonita. Eu gostei de duas, da preta e da rosa. Mas preferi a "da cor de rosa" porque essa que eu estou - e levanta a perna - é azul com amarelo e eu gosto de coisas muito coloridas e preta não é tão colorida assim.” Depois de perguntar o seu nome e entende-lo a atendente pergunta se ela gostava das princesas. Clara responde que sim e que elas são legais. A atendente volta a perguntar: Quais você conhece? Elsa e Ana e que também  havia pedido para a mãe para leva-la para assistir Cinderela no cinema. A atendente, pergunta então o que ela achou do vestido da personagem, do sapatinho, do príncipe e por fim o que a Clara mais gostou do filme? “ Todas as pessoas precisam sempre ter coragem e gentileza”- ela responde.
Depois de elogios da atendente e do orgulho que sentiu da filha, Ligia percebeu que a sua pequena também estava na luta e fazia isso de maneira natural contra aqueles velhos paradigmas da sociedade.
O que posso dizer da Clara e da Ligia? Parabéns!!! Não é fácil pensar e fazer diferente em um mundo que permanece tão fechado e preso aos seus dogmas, mas acima de tudo preso aos padrões de um consumismo descontrolado que insistem em começar a agir nos os pequenos que ainda nem sabem que são gente. É claro que fazer diferente, parte dos pais em perceberem o quanto é prejudicial para a vida dos seus filhos viverem cercados de tantos personagens que impõem valores- não por si e sim o que a sociedade quer que estes personagens representem para as crianças- que podem não ser o que eles querem que seus filhos tenham. Valores e “verdades” que alimentam o machismo e velhos preconceitos sobre as nossas meninas.
Quando li a história assim como muitas leitoras, senti um arrepio. É lindo saber que é de pequena que se pode fazer a diferença, mas acima de tudo é lindo saber que há mães como a Lígia.  
A autora do blog logo em seguida escreve também sobre as princesas  recomendo a leitura de todo o post!!! É maravilhoso e essa é a minha homenagem de Dia das Mães,  porque dia das mães é todo o dia e que ser orgulho para a mãe não é lhe dar um grande presente mas mostrar com atitudes os valores que ela custou tanto para te ensinar!

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